Na semana passada, durante cerimônia de encerramento da 36ª Reunião Ordinário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, Lula comemorou o fato de o Brasil ter hoje três das principais obras no mundo em ferrovias — Norte-Sul, Oeste-Leste e Transnordestina. O orgulho não é para menos. Os três projetos representam milhares de quilômetros de desenvolvimento e integração para o País, além de emprego e renda para milhares de trabalhadores, e terão continuidade no governo Dilma Rousseff, a partir de 2011, por representarem novos tempos para o Brasil em termos de transporte de carga, facilitando e barateando o seu custo.
Nesta segunda parte de nossa série especial sobre ferrovias, falaremos sobre essas três grandes obras ferroviárias que formam, nas palavras de Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT), uma ‘espinha dorsal de peixe’ pelo País. Confira a segunda parte da entrevista com Figueiredo, em que detalha os três projetos.
Com extensão de 2.254 quilômetros — ligando o Porto de Itaqui, no Maranhão, ao município de Estrela d’Oeste, em São Paulo — a ferrovia Norte-Sul se destaca no plano nacional de expansão da malha férrea nacional. Seu traçado foi retomado pelo governo do presidente Lula como prioridade no incremento do transporte nacional. Agora em dezembro será entregue o trecho até Anápolis (GO) e dado o início das obras entre a cidade goiana e Estrela d’Oeste (SP). Obra do PAC, a ferrovia teve R$ 5,02 bilhões em investimentos até o final deste ano e terá mais R$ 1,5 bilhão a partir de 2011 para entrar em operação em 2012.
Outro projeto considerado essencial para dar uma nova cara à malha ferroviária brasileira é a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que começa a sair do papel ainda este mês. Para tanto o presidente Lula reservou em sua agenda uma data para participar da cerimônia de início das obras dos 1.490 quilômetros da linha férrea que ligará o porto privado de Ilhéus (BA) ao município de Figueirópolis (TO). As obras da Oeste-Leste já deveriam estar sendo tocadas há meses, mas a falta de licença ambiental para as obras no porto de Ilhéus atrasaram os planos.
Já a Transnordestina, sempre muito citada pelo presidente Lula em seus discursos, não só por sua importância estratégica no modal viário do País mas também como geradora de empregos e renda no Nordeste, terá um total de 1.728 quilômetros de extensão, cortando os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará. O investimento total previsto no projeto é de R$ 4,45 bilhões.
Na próxima quarta-feira 15/12), o Blog do Planalto traz o terceiro post da série sobre Ferrovias, com mais uma parte da entrevista com Bernardo Figueiredo, da ANTT, sobre os estudos da Valec para viabilizar o trem de passageiros entre Brasília e Goiânia, um sonho antigo na região Centro-Oeste. Figueiredo explica também os motivos que levaram o governo a adiar para abril de 2011 o leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV), ligando as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.
Juliana Elias (jelias@brasileconomico.com.br) 02/07/10 10:55
Estaleiro Atlântico Sul-PE Brasil
Entrega do primeiro navio fabricado pelo Atlântico Sul, em maio, estaleiro que inaugurou a indústria naval do Nordeste
O anúncio da instalação do estaleiro Pomar em Pernambuco ontem (1) confirma uma tendência: no Nordeste estão as melhores oportunidades para a nova geração da indústria naval. Ao menos é o que mostram os dados. Após um ostracismo de duas décadas, os investimentos no setor, historicamente acostumado ao Rio de Janeiro, voltaram com força, e é para o Nordeste que vão 80% deles. Segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), os projetos somam hoje R$ 7,6 bilhões, dos quais R$ 6,1 bilhões se dividirão entre Bahia, Pernambuco e Alagoas. Serão pelo menos 17 novos estaleiros nos próximos anos, sendo nove deles, inclusive o Promar, no Nordeste. É um avanço e tanto para uma região que, até o ano passado, quando foi inaugurado o estaleiro Atlântico Sul, em Suape (PE), nunca tinha tido nenhum empreendimento voltado para a indústria naval ou petroleira. E só o Atlântico Sul, com suas 160 mil toneladas de capacidade anuais de processamento de aço, já alcança sozinho mais da metade de toda a capacidade do Rio, que com a dezena de estaleiros instalada ali desde a década de 1950 pode processar hoje até 298 mil toneladas. O Atlântico Sul, ao lado do Eisa Alagoas - também com capacidade para 160 mil toneladas e só à espera das últimas licenças para começar a ser construído na praia de Coruripe - está entre os maiores do mundo. Juntos, só não deixarão o polo fluminense para trás porque este também tem um plano grande de ampliações: há entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em investimentos aguardados, o que inclui a retomada pela Petrobras do hoje desativado Ishibrás e a possível migração do estaleiro da EBX para o Porto de Açu, após ter a licença negada em Santa Catarina. "O Rio continua sendo o principal polo do Brasil", aponta o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, "mas Pernambuco e Rio de Grande do Sul surgem como novos centros. O preço dos terrenos, bem mais atraente que Rio ou São Paulo, e o apoio dos governos locais são elementos que pesam." E de fato, a competitividade do Nordeste está nos baixos custos - já que o grosso da demanda continuará no Sudeste, onde se concentram as principais atividades de extração de petróleo e gás. Além do desconto de 75% no Imposto de Renda que o governo federal oferece às empresas que vão para lá, há ainda uma disputa aquecida de isenções municipais e estaduais. Em Pernambuco, por exemplo, estas taxas ficam cerca de 50% menores para os empreendimentos navais. "O mercado está no Sudeste. Então para atrair investimentos para o Nordeste ou tem que ter incentivo, ou a empresa não vem", diz Silvio Leimeg, diretor do Suape Global, projeto do governo pernambucano de transformar o estado em um polo naval mundial. "De qualquer forma, se as empresas estão vindo não é só porque o ‘governo quer'. São empresas privadas, elas vão onde é vantajoso para elas", conclui.